sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Oficio, paixão ou jornalismo?

A desvantagem em iniciar uma carreira antes da formação acadêmica é que no fim não há como dizer que foi enganado sobre a profissão. Sinto que sofro da síndrome da frustração precoce. Sim! Acho que padeço desse mal.

Veja bem: não se trata de arrependimento ou duvida sobre a escolha. Mas uma reflexão referente aos sofrimentos adiantados que são inevitáveis.


É engraçado aprender algo num lugar e desaprender no outro, e vice e versa. A faculdade simultânea ao ofício fatalmente gera isso.
Pareço estar generalizando o caso, então é melhor que eu diga logo. Sou jornalista, estudante de jornalismo, e estou cansada!

A falta de compromisso é o primeiro ponto. Não escolhi o trabalho, por romantismo, mas por paixão. Isso no sentido etimológico, não camoniano. Não porque acho que posso mudar o mundo, mas pretendo no mínimo deixar a vida das pessoas menos difícil.


Não sou presunçosa em achar que detenho a informação correta e que posso tornar as pessoas menos ignorantes. Porque trabalhando, eu aprendi, que os furos dos jornalistas(e eu ‘tô falando de jornalistas conceituados), não representam um décimo do que realmente acontece.


Mesmo assim, gosto de saber que participo desse processo, e que estou pelo menos tentando enxergar o mundo e as pessoas. O que eu não entendo, é porque pessoas que não estão nem ai com o outro, ou com o mundo, escolhem a profissão.

Isso gera problema a quem quer de fato provocar algo, no sentido de trabalhar por alguma coisa. Isso me trapalha. Tanto no quesito colegas de empresa, como no de colegas de trabalho.


Eu ainda estou bastante longe de ser boa no que faço, mas eu me dedico, e quero ser melhor todos os dias. Não só por mim, só que acho extremamente depressivo viver num local onde meninas e meninos usam fio dental na rodovia, mostrando não apenas a bunda, mas expondo todo um sistema falido, e nem serem percebidos nessa ótica.


O que sinto é que as pessoas estão pouco motivadas a se responsabilizarem pelo caos. Temo a instalação da banalização da mediocridade humana. Por isso, creio que não basta somente perceber, mas gerar a crise, e o único modo que encontrei de promoção dela, é escrever as coisas que consigo descobrir, e me fazer ser lida.


Não é fácil ser jornalista, é uma vida de renúncia. Tenho 25 anos e deixo de fazer muitas coisas, porque acredito no exercício. E confesso, com certa vergonha que tenho sido tentada a escolher outros caminhos.


De repente um trabalho mais comum na área, no corporativismo. Então quando preciso obter alguma informação que utilizo como meio, um assessor de comunicação, questiono se o jornalista na função de assessor, perde o compromisso com a verdade. 



Porque esse profissional passa a ignorar todos os fatos, repetindo uma frase pré-determinada e omitindo fatos.  Tudo por um emprego de salário melhor. Eu nunca quis um emprego, sempre quis um trabalho.

E então me perco em outra divagação, se “verdade” é um conceito referencial, no que podemos nos apegar para construir algo?! Então retorno a dialética evolução a partir da desconstrução por meio da crise. Mas as pessoas não querem crise. Querem conforto e sossego.


Um dia minha mãe disse: se um mendigo te pede comida. Dê um prato de comida. Se um dia te pede dinheiro para comprar remédio, dê o dinheiro para o remédio, se um dia te pede para a pinga, dê também para a pinga, e se ele lhe pedir dinheiro sem mencionar a finalidade, se você decidir dar o dinheiro, não o questione, porque o ato da transferência de algo, faz com que aquilo, não lhe pertença mais.

Eu considero muito sábio.

E com essa didática eu entendo que não sou eu quem vai prever ou decidir o que as pessoas querem ou precisam. O indivíduo tem o direito de escolher se vai viver uma vida toda de passeio ou de propósito.

Aí me vem uma outra frustração, será que tanta dedicação é necessária? Será que as pessoas querem mesmo ouvir o que eu tenho a dizer? Será que as coisas que eu penso e escrevo são de fato relevantes? Sei que quero ser jornalista, mas estaria eu nos rumos acertados do ofício?!



Vou continuar escrevendo, mas não sei se os mendigos ficarão satisfeitos...





3 comentários:

Roberto Hobold disse...

A vida é caos. Num sei, mas as palavras, em geral, ficam ao vento.

Patricia Acunha disse...

Sarah, isso que vc escreveu me lembrou uma frase que eu vi no filme a Montanha do Sete Abutres: "O jornal de hoje irá embrulhar o peixe amanhã”. Lembro daquela rotina de se 'matar' por uma manchete, mas se perguntar para um cidadão do que se tratava, poucos sabiam. Esse lance de encontrar 'seres' que 'escolheram' esta profissão vai ser a coisa mais comum. No lugar onde eu vivo ainda tenho que aturar os pseudojornalistas, que só pelo fato de ter uma câmera fotográfica na mão e ter 'amizade' com pessoas influentes se acham o jornalista mais fodão do mundo. Não é a toa que tanta gente (como eu) passa para o outro lado da corda, pois é tanta doação que vc faz que parece no final é um simples nada. Mas continue no caminho. Ainda tem mais dois anos! Bjo bjo.

zumbi disse...

´"O que eu não entendo, é porque pessoas que não estão nem ai com o outro, ou com o mundo, escolhem a profissão".

Definitivamente isso não cabe apenas ao jornalismo...
há gente cretina por todo lado
e o que cabe aos que tentam não ser é fazer sua parte.